O número de desempregados no Brasil, está em torno de 12,5 milhões de pessoas segundo a Organização Internacional para o Trabalho (OIT), com previsões de melhoria para 2019. No entanto, diante de números tão expressivos, fico me perguntando, qual é o papel da liderança nestes momentos de crise, quando muitos deles perderam o emprego ou estão na iminência de perdê-lo?

O trabalho sempre representou e representará oportunidades de autorrealização e a conquista dos nossos ideais. Aliás, muitos pensam que não se chega muito longe, sem o abençoado emprego. Porém, vale ressaltar, que são nestas horas de apertos, que descobrimos em nós próprios talentos inimagináveis. Quem não conhece a história de pessoas que mudaram completamente a sua vida e a vida de muita gente, porque descobriu e acreditou no próprio talento criativo?

O espírito empreendedor pode estar adormecido dentro de nós, e de repente, diante dos desafios da vida, somos surpreendidos com ideias aparentemente simples, que trazem respostas práticas excelentes e transformam as nossas vidas de modo fabuloso. Se este for o seu caso, parabéns e siga adiante, mas fica a pergunta: e os que preferem permanecer apenas executando o seu trabalho e mantendo o seu emprego ou procurando por um? Cada pessoa está fazendo a coisa certa conforme as suas escolhas e as suas aptidões. Não vamos sofrer porque decidimos continuar lutando por uma recolocação profissional ou trabalhando o dobro da carga horária para manter-se empregado. Não estou dizendo com isso, que concordo com as empresas que expõem seus colaboradores à exaustão, para obter os mesmos resultados. Estou apenas reconhecendo a importância do papel do líder junto da sua equipe nestas horas difíceis, quando muitos de seus colegas foram demitidos.

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Devo dizer aqui que quando as empresas estão praticando demissões, geram ressentimentos significativos naqueles que ficaram. Em geral, muitos profissionais que continuam trabalhando nas equipes, perdem a motivação e sentem-se enlutados com a perda de emprego de seus colegas. Neste momento, é fundamental a presença de Recursos Humanos, para mediar e minimizar estes sentimentos de perda. Contudo, a serenidade e a firmeza dos líderes fará enorme diferença no cotidiano das pessoas.

Líderes que conversam, que praticam escuta ativa, acolhem e buscam a resiliência de seus liderados, saem à frente daqueles que se comportam com indiferença em relação ao que as pessoas sentem e pensam.  Profissionais brilhantes, se desdobram para manterem suas equipes produzindo e crescendo apesar do enorme esforço e sacrifício da maioria deles e do próprio líder.

Quando vive-se períodos de crise, o melhor a fazer, é unir forças, compartilhando ideias, dando espaço para que a equipe manifeste suas inquietações e o líder tenha a oportunidade de perceber os aspectos subjetivos que permeiam o comportamento da maioria e avaliar as questões emocionais que impedem ou retardam a entrega das atividades em razão do descontentamento resultante das incertezas que invadem a organização. Assim procedendo, poderá com acerto, criar alternativas estratégicas para a solução do que é possível e acolher ou adiar expectativas da equipe, evitando frustrações desnecessárias. 

Quando todos estamos num barco à deriva, os medos ficam exacerbados e o descontrole toma conta dos sentimentos presentes. Nas empresas, acontece a mesma coisa.

O medo da demissão, apavora as pessoas e elas costumam ficar desorientadas, o que é natural. Portanto, o fato de estarmos líderes, não assegura que também nós, não estejamos apreensivos. Porém, o comando nesta hora, é fundamental.

Focar na união, no esforço, na cumplicidade, na conversação amistosa, pode resultar em excelentes climas organizacionais nestes períodos de tempestades e porque não dizer, de nomes na lista de corte.

Os líderes por sua vez, também precisarão buscar apoio e cuidar dos seus próprios medos. Em cenários de incertezas o nível de stress costuma ser altíssimo, e por muitas vezes impedem de perceber soluções simples para algumas questões práticas.

Lembremo-nos sempre, que o cérebro tende a generalizar e potenciar medos que são sentidos e reiterados cotidianamente. Se não formos capazes de identificarmos a razão destes medos, o cérebro tenderá a fazer associações distorcidas da realidade, gerando sentimentos alarmantes sobre fatos corriqueiros. Portanto, converse sobre suas preocupações e angústias em lugar seguro e volte para o trabalho mais integrado com as suas emoções. Embora, você esteja desempenhando um papel de líder não o colocará acima da sua humanidade.

Cuidado com a presunção de ter respostas para tudo e ser o protagonista das demissões. Quando temos a convicção de que todos precisam agir da mesma maneira, preferencialmente, positiva e madura, diante da ameaça iminente de demissão, corremos o risco de sermos injustos com aqueles que reagem diferentemente de nós, embora comprometidos com a mudança no cenário de empregabilidade que as empresas oferecem.

Não seja um líder carrasco, porque você tem estrutura psíquica que lhe permite lidar com perdas e frustrações de modo equilibrado. Aliás, esta deve ser uma de suas características que o mantém desempenhando este papel de líder. Portanto, seja generoso e acolhedor. As pessoas irão lembrar-se deste legado respeitoso que você pode assegurar em períodos de incertezas.

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